A angústia de um redator offline

Comecei com propaganda há pouco tempo. Sempre gostei de internet, mas desde o primeiro estágio estava mais envolvido na prática com o mundo offline. Agência em Pernambuco, anúncio pra jornal, outdoor, eram sempre os principais tipos de trabalho.

De repente, todo o mundo vira online. Todo mundo só fala em online. E ninguém nas agências de comunicação sabe fazer isso direito. Estava ontem conversando com o Ariel Gajardo sobre uma coisa bastante importante para o profissional da propaganda do passado (quero dizer, do ano passado): o portfolio.

Com 10 anúncios bem feitos, pra revista, que mostrassem capacidade de raciocínio, resolver problemas, uma certa familiaridade com o formato da propaganda, dava pra conseguir estágio em uma agência. Dependendo da qualidade, a agência seria melhor ou pior, mas este era o caminho das pedras antigamente.

E hoje?

Que demônios tem que saber alguém que quer entrar na W+K, na Espalhe ou na Red? Tipo, um blog legal, com algum conteúdo legal, centenas de milhares de visitas? Isso gera mais dinheiro que um estágio.

Um estagiário de propaganda ganha desde um abraço até um salário mínimo. Não espere mais que isso, que é expectativa falsa. Como é bastante possível ganhar dinheiro na internet, mas é necessário algum conhecimento prévio, há uma linha que eu não consigo enxergar bem entre ser um estagiário online e ser freelance. Acho que ser freelance deve ser mais interessante.

Então, uma pergunta estranha, não sei se alguém aí sabe resolver: qual é o mínimo de conhecimento necessário pra conseguir ser um estagiário de web, além do qual seria mais rentável você ser freelance?

Ainda não descobri nenhuma resposta pra isso. E fico com outra dúvida, relacionada à primeira.

Sou redator de off. Mau ou bom, mas sou. Tenho já alguma experiência, e a pior das amarras: ganho dinheiro pra pagar as minhas contas. Não posso virar estagiário online. Mas não sei suficiente de online pra mudar de lado, assim como assim. Então, e aí?

Passar do off pro on é como mudar de carreira? Creio que não.

Posso aproveitar conhecimentos pra caramba. Mas quais? E que conhecimentos devo mostrar, que talentos, que técnicas, para mudar de um lado pro outro? E se eu fosse, digamos, 7 anos mais velho, já um jovem diretor de criação? O que aprender? Como e quando?

O difícil não é reconhecer a ignorância, é não encontrar onde aprender.

E antes que perguntem de novo, o meu portfolio está aqui.”

0 Comments on “A angústia de um redator offline”

  1. Também sou um redator offline e vivo essa mesma angústia. Ontem mesmo apresentei meu portfólio em uma agência e fiquei bastante angustiado por não ter nada online para mostrar. Apenas aqueles mesmos anúncios de revistas de sempre, no máximo umas mídias alternativas. Criar fantasmas offline é bastante fácil, mas como fazer isso no mundo online? Essa é apenas uma das angústias dos tempos 2.0.

  2. Estava conversando enquanto escrevia este post com um amigo que é informático. Um caminho apontado por ele é que o esquema portfolio-fantasma vá pro inferno. É mais provável que alguém contrate um redator que veio do off depois de uma conversa, uma leitura no blog do cara e uma googlada.

    Futuros redatores, o teu friendfeed agora é mais importante que a tua pasta.

  3. Sei não viu… Acho difícil. E não acho que fazer pasta off seja fácil. Não mesmo. Faça uma pasta boa de verdade com algum diferencial, que fuja das mesmices de sempre. É difícil. Só acho que uma pasta deve ter tudo mesmo. Off, on-line, qualquer tipo de viagem, ação promocional, marketing promocional. Tudo que for totalmente diferente. 😛 ah sei la =/ O problema tb é que o pessoal de web não costuma fazer fantasma, afinal já ganha uma boa grana com freela. Po, que massa seria se tivessem duplas de fantasmas de web, um cara bom na ferramenta, interessado em “criar por criar” idéias à toa, de preferência de um redator hehe 🙂

  4. Mas o que é um fantasma para web?

    Um arquivo de word com a proposta do projeto?
    O leiaute da futura página? E se o projeto for no twitter? Ou AdWords? Dia desses, eu vi no twitter alguém procurando um especialista em AdWords. Iriam selecionar o cara por currículum?

    Eu tenho no portfolio uma ação (ou o djabo que fosse) que era fazer um jogo tipo Magic:theGathering meio online meio offline para uma marca de sapatos. “¿Como colocar isso na pasta?

  5. Assim como em muitas novas campanhas, há a integração entre offline com online, o mesmo deveria(rá) ocorrer com os portfólios. O candidato à vaga mostraria sua pasta offline e no meio da apresentação, seria mostrado, em um computador, claro, a parte online do portfólio.
    Em relação à ação tipo Magic:theGathering, creio que somente uma folha A4 com a explicação do projeto não seria suficiente. Mas como mostrar de forma atrativa? Através de malditos powerpoints ou algo do gênero? Simulação em flash? Realmente não sei.
    E creio que os portfólios-fantasmas não devam acabar tão cedo, porque apesar de todas as inovações que venham a ocorrer, nada substitui a idéia (por mais clichê que isso possa parecer). Um diretor de criação não vai dispensar um candidato apenas porque seus projetos não foram pro papel (ou pra rede). Além disso, já conheci blogueiros maravilhosos, mas que na hora do “vamo vê” das agências ficam perdidos. Não vamos ser fantasiosos e achar que tudo agora mudou pro lado da internet. Apesar de ser um entusiasta das novas possibilidades abertas por esse meio, acho que uma mudança de mentalidade geral (principalmente fora dos grandes centros) ainda demora um pouco.

  6. Hélio, demora um pouco, mas não muito, principalmente porque as dist”ncias diminuem, e o “modelo” de idéias e de portfolio, principalmente longe dos grandes centros, é Cannes e os festivais.

    Quando os grandes centros comecarem a não dar mais valor a um Leão em Press, o que não demora muito, como vai ser?

    Estou em Madrid, posso ter uma visão meio distorcida, mas acho que não dura mais de 2 anos pra Press valer tanto quanto Radio.

    E os Titaniums, Platinums, Integrated e coisas do gênero já valem MUITO mais que qualquer outro.

    E as idéias terminam valendo menos no papel que na tela do celular, né não?

  7. Lusenalto,

    o que eu quero ver é o portfolio de alguém que sai daí.

    como é?

    o que tem?

    o que eu preciso fazer pra mostrar um?

  8. bem, alexandre,

    coloquei o site mais como informação mesmo, acho que agrega ao assunto.

    bem, como redator, juro que não sei, redatores que eu conheço que fizeram essa “migração” do off para o on, fizeram uso de suas pastinhas com material off mesmo, mas no entanto eles tinham um certo conhecimento de cultura digital. E isso, os contratantes descobrem se atende as suas necessidadesïn loco” acessando o blog da galera, seguindo o twitter deles, etc.

    conheci um diretor de arte que tinha sido chamado pela Click porque viram um site que ele tinha feito que era um mix de blog com fotonovela. Design interessante + conteúdo interessante = contrato. E aí que hoje o cara tá numa agência em NY depois de contruir um portifolio forte em On.

    se isso responde a pergunta sobre o que você precisa fazer, não sei?
    até porque eu não sei. tô cogitando a hipótese de morrer e nascer de novo.
    se der certo, te aviso.

  9. chefe atrás de você e clientes desesperados fazem que você escreva finais de comentários iguais aos meus.

    não aconselho a ninguém.

  10. Pelo menos por essa discussão aqui dá pra ver que não sou o único angustiado.
    É melhor ser um angustiado agora do que ser alguém que nem tem idéia de que deveria estar angustiado tb.

    Entenderam? Ok, deixa pra lá.

  11. Helio, esta é a grande discussão.

    Se eu fosse estudante procurando estágio, ia pra qualquer coisa de online e pediria uma vaga.

    Mas como alguém que é, tecnicamente profissional de off, com um pouco de experiência e tal, faz pra bandear?

    Estou angustiado porque quero mudar antes que todo mundo mude, porque acho que a oportunidade é ir antes que vire moda.

  12. Muito interessante a proposta desse curso. Tarrask, também tenho essas dúvidas.
    Alguém sabe o valor do curso?

  13. to deixando esse comentário só pro blog de tarrask quebrar o seu próprio recorde de comentários.

  14. alô!

    acho que você, diretor, apesar de falar de modelos de negócios passados e como ser aceito nesses negócios, não olha pros modelos de negócio futuros.
    entendo que cada vez mais agências estão se tornando multidisciplinares: é necessário ter conhecimentos específicos pra lidar com cada área, mas conta também ter uma visão sem vícios do que você se propõe a trabalhar. assim, você consegue cumprir a máxima babaquinha, mas verdadeira, do “não sabendo que era impossível, foi lá e fez.”
    somos profissionais em formação, mas no futuro eu espero entender tanto de mkt direto quanto de ATL, ou de on-line, ou de guerrilha, ou de manipulação mental e o que mais de novo for chegar por aí. você é, antes de publicitário de offline, comunicador. se prenda ao macro e comece a se preparar pra ter visão do negócio como um todo, já que um dia vai ser diretor.
    eu diria até que já estamos na transição: a naked (http://www.nakedcomms.com/), que te falei, entrega idéias e tem no time uns caras que são químicos, cientistas sociais. lá ninguém é redator ou diretor de arte, ou atendimento, ou mídia. a nitro (http://www.nitro-group.com/) é um modelo de negócio que tem um gerente de conta, não necessariamente publicitário, mas um cara que saca do negócio do cliente (sem duplo sentido) e propõe as melhores soluções, sejam elas um anúncio de página dupla na veja ou um adesivo de orelhão. depois dá uma olhada nessa entrevista do cara de lá, que é bem legal: http://www.brightcove.tv/title.jsp?title=758931865.
    acho que vale mais, pra virar um cara de online, conhecer gente, manter o seu blog, fazer contatos, e ficar por dentro do mercado: penso que é por isso que rola dancinha de cadeiras, as pessoas têm o seu mundinho e indicam os conhecidos, pelo menos aqui em sampa. apareça.
    e depois você me diz: então daqui a pouco não teremos que ser publicitários, nem ter experiência em comunicação (qualquer que seja) pra trabalhar com propaganda?
    essa também é minha dúvida.

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