E pra quê discutir política?

Quem me conhece, sabe que eu discuto pouco sobre o assunto. A principal razão é que eu odeio fanáticos.

Um fanático é alguém que não quer mudar de ideia. E nem de assunto.

Juro que ouvi essa frase num vlog de humor. Espanhol, como tinha que ser.

Eu só gosto de conversar pra que mudem a minha opinião sobre algo. Não curto muito ter que explicar algo que eu já sei, sem receber nada em troca, e por isso detesto dar lições. E também não curto ser lecionado por sumidades geniais do assunto, que só querem falar sem escutar. Não vejo ponto em nenhum desses extremos.

Aí postei no facebook hoje que tá punk ficar por lá, porque Brasil e EUA estão em campanha, e a Espanha quebrou, destruindo assim todas as conversas políticas e timelines, ao mesmo tempo.

Barão de Itararé, o maior filósofo da política brasileira

Barão de Itararé, o maior filósofo da política brasileira

Ao mesmo tempo, acredito que detestar campanha política é ser político
Não sou dos que dizem que detestam política, porque esses são os que normalmente votam na direita. Pelo contrário, me considero de esquerda na maioria das sociedades nas quais vivi e posso dar alguma opinião informada. Mas não acredito em campanha. Slogan não convence, cavalete na rua não convence. Sei que cada candidato – e cada pessoa – é formado por um conjunto de opiniões, e que nenhum deles nunca vai concordar 100% comigo, então creio que um voto deve ser formado pela pessoa que mais próxima chega aos 100%. No entanto, concordo com todos os candidatos em algumas coisas, e discordo de todos em outras.

E fanático nenhum no mundo vê isso. Qualquer pessoa que acredita que alguém deva sair impune de um julgamento no STF só porque é do partido, ou que acredite que o Romney é uma boa pessoa só porque é apoiado por Clint Eastwood e Chuck Norris é burra na mesma medida.

 

Discutir campanha política é uma das coisas mais bestas do mundo, principalmente porque é sempre uma conversa de via única.
Há algum tempo, postei que sou um dos tipos de eleitores mais importantes: o infiel, o indeciso, o que às vezes pende pra cada lado. As discussões em comentários e no facebook me provaram que eu estava certo. Quando alguém assume que vai pensar antes de votar, é considerado perigoso por direita e esquerda, porque é contrário ao seu projeto de simplesmente ser votado, sem dar ao trabalho de responder às perguntas.

Por que é isso que um político profissional quer: que você o compre, simplesmente. Afinal, política é a única forma de marketing que não aceita devolução nem Procom.

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