Extra, extra! Morreu a notícia, nasceu a opinião.

Artigo publicado no Contraponto em 14 de setembro de 2007

Nenhum jornal, hoje, no planeta, tem notícias. Nada publicado por um jornal pode ser chamado de novo. E isso já é uma notícia velha. Alguém lembra de ter lido sobre o maior atentado ao mundo ocidental em algum jornal? Tem certeza? Quem, hoje, precisa do jornal pra saber que alguém jogou um avião no WTC? Jornal se compra, hoje, 2007, por vício ou opinião. Explico.

Vício. Minha bisavó só assistia novela no rádio. Nunca se acostumou com a televisão. Matava a imaginação, sei lá. Alguma desculpa ela tinha para carregar o hábito. Nunca se acostumou à televisão. Alguém hoje escuta radionovela?

Meu pai lê uns 10 jornais todos os dias. Em papel. Ler na tela cansa. Nunca vai perder o hábito, e acha impossível que alguém prefira ler notícias na internet. Qualquer alguém com os meus vinte anos, dentro de um escritório, passa 8 horas diárias (ou mais, sem hora-extra) olhando para uma tela. Por que não leria 20 minutos de notícias? Mais rápido, mais fácil e em tempo real. Falta só o hábito. Alguém aí não entende por que os jovens não lêem jornal?

Opinião. As notícias todas estão padronizadas por agências de notícias. O que diferencia a CNN, NY, Folha e do Diário de Cabrobó do Sul? A opinião de Dom Fulano de Tal, autoridade no assunto. Os raciocínios dele valem o pagamento da celulose, porque só podem ser encontrados aí.O resultado dos jogos de futebol, sinceramente, não. Estão em todas as partes. Ter um colunista em exclusiva, materias aprofundadas, discussão, são os atuais valores do jornal, e que antes o diferenciavam da revista. As notícias são banais. Todas elas.

Acho que a maioria dos leitores do Contraponto lembram a diferença que antigamente se dava: jornal dá notícia, revista dá opinião, porque dá tempo de pensar para escrever, dá mais texto, mais conteúdo. Isso acabou. Notícia você tem em tempo real. Na tela, da TV, do computador, do celular, ou do aparelhinho que vai substituir todos eles. Revista, jornal, panfleto. São todos papéis. Servem para entregar material exclusivo.

As novas tendências no mundo jornalístico: acabar com os classificados, as notícias de esporte, cotações de bolsa, divulgação de balanços de empresa. Qualquer dado que perca valor ao largo do tempo é inútil.

O papel só serve para informação perene. Análise, reflexão, pitaco. Pelo menos, essa é a minha opinião.

0 Comments on “Extra, extra! Morreu a notícia, nasceu a opinião.”

  1. Tarrask,

    O futuro será a notícia via áudio. Você pode fingir escutá-la enquanto finge dirigir para o trabalho. Mais ou menos como funciona com os audiobooks.

    ;D

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