O dia em que os dinossauros morreram

É o fim da historia. Acabou a discussão. Garção, traga a conta, e cobre ali daquele rapaz que não sabe ler direito.
As pessoas vivem discutindo o que vai acontecer no futuro, quando é que o status quo vai dar valor ao que elas andam fazendo para então começarem a fazer alguma coisa. Ora não acreditam que o mundo nunca vai mudar, ora acreditam que já mudou e não vai mudar mais.

Viram especialistas em twitter ou neo-luditas.

Vejam este vídeo:

O que é que a pirralha quer? Resposta no fim do post.

A gente pergunta o que é natural, o que é mais fácil, e a resposta sempre é o que estamos mais acostumados. É natural falar português, pensar antes de falar, e soltar mil e três palavrões quando se está irritado, se o sujeito da frase for o autor deste post. Mas nem sempre, e nem pra todo mundo. Fato.

Se você mantiver os seus hábitos num ambiente diferente, morre.

Eu não escrevia publicidade no estilo brasileiro quando morava na Espanha. Não escrevo em estilo espanhol quando os anúncios daqui vão pro Brasil. Messi, que é muito mais gênio que eu, se arromba todo quando tenta jogar com a selección do mesmo jeito que joga no Barça. Não se adapta, espera que o mundo se adapte a ele.

Teve um velho barbudo que provou, há uns cem anos, que Messi tá errado.

Quem é seu gênio agora?

Resposta pro vídeo: a pirralha quer se divertir.

Ela tem um ano. O cérebro dela só consegue processar quatro coisas: divertido, dolorido, fome e cocô. Se ela não está chorando, é diversão.

E todas a gerações que buscam livros, revistas, televisão, cinema, twitter ou modbuster, buscam diversão.

Só que, se você acha que o papiro veio pra ficar, a televisão veio para ficar ou o Facebook veio pra ficar, vou ensinar uma coisa que aprendi nos meus 30 anos: tudo muda, já diria o Bemfica.

Os velhos já sabem disso, e por isso se adaptam melhor.

Gente que nunca instalou um modem de 14.400 baud tem aquela mania idiota dos jovens de acreditar que o mundo é plano e não vai mudar mais. Eu sei, já fui assim também.

Mas teve aquele velho que disse “jovens, envelheçam.”

Se você não acredita, senta que lá vem historia. Em 1994, todo nerd que se preze era fã do Bill Gates. Não havia Steves de sucesso na informática. Jobs era, no máximo, o cara que se deu mal nos computadores e foi pro cinema. Wozniak não iria fazer mais nada. Gates era o cara que fez o computador utilizável por seres humanos normais. Não acredita?

Primeira entrevista da Playboy que eu li.

Continua não acreditando? Enquanto eu escrevia este post, lá vem um alerta dizendo que o Facebook mudou DE NOVO a maneira como mede audiência. Tem hora que a gente enche o saco e espera que a mudança acabe.

Mas, infelizmente não acaba.

We can’t introduce anything new to a domain until we’re fluent in the language.

Pra escrever bem, é preciso ler. Pra usar bem o twitter, é preciso soltar 140 caracteres mais ou menos umas 5 mil vezes.

As suas primeiras 10 mil fotos são as piores. – Henry Cartier-Bresson

Não importa o que você quer fazer. Pratique. Respeite os mais velhos. Aprenda do erro deles, e espere 5 anos, pra ver pirralhos aprendendo com os seus e fazendo erros diferentes. É superdivertido.

A internet mudou a humanidade, mas não mudou o ser humano

Se você acha que é uma pessoa melhor ou pior por causa disso, provavelmente deveria estudar mais biologia. Você está mudando porque a adolescência acabou, seus hormônios estão se equilibrando e a partir de agora o seu cérebro vai ser menos influenciado pela variação da produção de duas ou três substâncias específicas das suas células. As pessoas continuam iguais, com gostos e desejos iguais, desde que o mundo é mundo.

Se você acha que a sociedade é a mesma que há 20 anos, ligue o seu rádio, e comece a anotar as referências a acontecimentos em outros países. Lembre-se que, há 20 anos, as pessoas demoraram dias, meses e anos, para saber que Kurt Cobain tinha morrido. Aproximadamente 3 bilhões de pessoas souberam da morte de Michael Jackson em menos de 24 horas. Pense que a atual crise econômica não aconteceria se 90% da população continuasse ignorando quem é Standard & Poor’s. Pense que no século XIX tardavam-se 3 meses para cruzar o Atlântico, se você fosse milionário.

Desconfie de quem tem muitas certezas.

É a única conclusão que eu consigo fazer de toda a conversa. Um vício pessoal, por minha experiência de vida. A coisa mais certa que eu aprendi é que quem tem muita certeza de que sabe das coisas usualmente quebra a cara.

Desconfie.

Cuidado, ela esta à solta.

Foto do Helio Marques, porque sim.

7 Comments on “O dia em que os dinossauros morreram”

  1. É, velhinho. As coisas não são mais como na nossa época.

    Ótimo texto, aposto que vai causar algumas fraturas expostas! 😉

  2. Eu me senti velha lendo o post (inclusive vendo o vídeo dessa garotinha, fiquei impressionada!!!!!!!!! – e põe exclamações nisso).

    Devo concordar: as plataformas, tecnologias e a estrutura do mundo estão diferentes, mas o humano em si, não mudou. Ainda gira em torno de diversão, dolorido, fome e cocô.

    Ótimo post mesmo.

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