O passado do futuro da propaganda

O campeão do mundo @geofreitas me mandou, outro dia, o artigo da Fast Company sobre o futuro da propaganda. Nada tão apocalíptico como as coisas que eu costumo escrever, nem tão iludido como as notícias de sites do mercado, que não conseguem ver a mudança nem quando elas explodem na primeira página.

Acho ótimo quando, na primeira parte, o articulista explica bem detalhadamente como nasceu a propaganda que funcionava até a década passada, num modelo taylorista-fordista que está ruindo e substituido por uma maneira de trabalhar mais parecida com a das empresas de software.

Cada parte do artigo dá uma porrada numa área diferente da publi tradicional: os softwares que analizam milhões de lugares de exibição na internet ou até no mundo real (como o Google vendendo espaço nas rádios, por exemplo), a mudança do trabalho do atendimento ou até as tradicionais relações, com clientes de décadas deixando as agências porque estas não sabem propor alternativas.

A briga agora é outra: profissionais experientes com medo por não saber entrar no mundo digital. Profissionais novos não têm experiência nem critério. Os burros entram em conflito, os inteligentes formam equipes.

Darwin, Clay Shirky, Dawkins

Pra sobreviver ao que está acontecendo, não é necessário ter lido a internet inteira. Nem ter decorado todas as fichas técnicas de Cannes. Como qualquer mudança de ecossistema, na atual, os mais aptos irão sobreviver. E os mais aptos, segundo a teoria da evolução das espécies, são os que se adaptam melhor. Ser digital não te dá vantagem, nem ter 30 anos de mercado. O importante é saber lidar melhor com o meio ambiente para poder nadar com os tubarões, sejam eles de bits ou de carne e cartilagem.

O sistema está mudando, os peixes grandes também

Pense em Bogusky. Pense nos seus ídolos da década de 90. Pense nos grandes dos anos 80. Os que continuam na área, ganham dinheiro e são reconhecidos são os que se adaptaram, mudaram e criam valor nas suas próprias carreiras.

Nós, publicitários, agora também somos produto.

E os meus prêmios? E a Riviera Francesa? E aqueles almoços com clientes? E a vida de Mad Men?

Mad Men e a vida de publicitário famoso dos anos 80, jovem criança, é tão futuro quanto os Jetsons. Os grandes publicitários do ano 2020 são profissionais com rotina e formação completamente diferente da de Ogilvy ou Bernbach. Entretanto, pensarão muito parecido a eles.

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