40 minutos de crédito

Nublado. E a initerrupta idéia de que é mais um dia, mas é um dia a mais. Poeirinhas leves e um rastro de paz paira por sobre a cidade vista da janela do quarto. Abrir a porta significa parabéns e sorrisos das pessoas da casa de uma forma muito escancarada, que combina com duas da tarde, não com 9 da manhã, na verdade, o que combina mesmo com 9 da manhã é continuar dormindo ou ficar perambulando no limbo onírico em que não se sabe exatamente o que faz parte do mundo conccreto ou do abstrato.

No limbo, ainda sonolento, abre os olhos de forma quase que não, e percebe o salto preto, a lingerie lilás, alguem pálida com o cabelo escuro semi preso, andando pelo quarto, e o cheiro de pimenta doce. Era ela, a surpresa que ele não veria além das imagens sem nitidez alguma que já tinha visto, e agora, vendado por ela e selado com um beijo doce precedido de um ‘pshhh, fica quietinho…’ e calafrios. Como alguém que faz parte da máfia induzindo sua presa confinada… Um momentos que pede um downtempo rolando de fundo num Tarantino qualquer.

Ele, ainda de bruços, recebe um carinho dela, contornando com a unha o cabelo que teima em não ficar atrás da orelha, onde é o lugar dele, e um contorno dos dedos pelo olho dele, pela boca, pelo ouvido, e não mais contornos, mas a respiração quente pelo pescoço, e os lábios quentes, cobertos daquele terrível batom sedutor, que deixa a pele refrscante… e o cheiro doce do óleo que ela pingava nas costas dele agora, aquelas costas desejadas por tantos longos anos… e ela as massageava com desejo e vontade, sentidos misturados, e menos agora o batom, mais a quentura das mãos nas costas, suave, mas com a firmeza de quem deseja, por longos e deliciosos momentos de relaxamento…

E tudo parou, e foi parando, parando, pairando… e antes que ele perguntasse onde ela estava, ela respondeu sussurando que estava bem perto, e foi deitando o corpo dela em cima do dele, que, de bruços, foi se virando lentamente e encostando o corpo dele no dela, com um abraço pedindo por mais, até onde o beijo fosse suficiente, quando não mais, ela beijava o corpo dele inteiro, e qualquer tentativa de movimento dele era inutil porque era ele o aniversariante. O que deveria receber o presente. Sentia a língua dela passando pelo corpo dele, desenhando círculos e leminscatas invisíveis… e as pernas dela passavam pelas dele e ele sentia as unhas dela contornando agora sutilmente a borda da bermuda, entre pêlos, apelos, e o úmido consumo do desejo…

Quando tudo que ele mais queria era que ela finalmente desse um happy ending as provocações, ela pára, fala baixinho pra ele: ‘Espera’! E volta… escrevendo nele com o batom líquido de hortelã: FELIZ ANIVERSÁRIO… e o resto: fato consumado entre beijos, carinhos, carícias, e abraços… e toda a selvageria contida em momentos de ternura dessa vez, porque ela esqueceu uns “brinquedos” dentro da bolsa. Mas ela sabia que era uma dessas pessoas que sempre volta, e numa dessas voltas, ela continua seu eterno joguinho de amor com ele, sem nenhum pudor e com todo o tesão de quem se adora. Pra sempre.

Já aviso. Este texto não é meu. Tem aspas e reticências. 🙂

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