Citação obrigatória a Rubem Braga*

* O Braga é o maior cronista brasileiro. Me ensinou a gostar de ler. A #junia não conhece o suficiente. Deveria lê-lo todos os dias.

 

De vez em quando a gente precisa formatar discos, reinstalar sistemas operacionais. Começar de novo.

Qualquer coisa – vírus, email de pessoa que não aparecia há anos, proposta de trabalho, água na CPU – pode causar aquela barafunda que termina com a pessoa, à noite, mal-iluminada por uma lâmpada que provavelmente está apontada para o lado errado, cercada de fios, caixas e cabos. E depois de muita dor de cabeça, a luz do botão acende e o ventilador começa a girar, sinal de que o sistema tem energia novamente e está procurando as instruções para voltar a funcionar.

E eu, incorrigível, vejo um hd ligado ao usb do computador, onde o sistema reserva está instalado, e imediatamente lembro de uma crônica de Rubem Braga. Uma das dez coisas mais bonitas que ele já escreveu, a mesma coisa que uma das dez coisas mais bonitas da língua portuguesa. Diabos, uma das dez coisas mais bonitas e pronto.

Nasceu, na doce Budapeste, um menino com o coração fora do peito. Porém – diz um Dr. Mereje – não foi o primeiro. Em São Paulo, há sete anos, nasceu também uma criança assim. “Tinha o coração fora do peito, como se fora um coração postiço.”

– Rubem Braga, Como se fora um coração postiço

E uma das crônicas mais bonitas do fazendeiro dos céus vem à minha memória. Acho que li pela primeira vez há mais de vinte anos. E vou reler novamente.

E não vou chorar como uma criança, porque quando eu era criança eu não me emocionava com esse tipo de coisa.

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