E o meu medo de dar crop nas fotos?

Nessa história de mudança, uma coisa que está ocupando o meu tempo é a organização dos discos de backup, onde colocar arquivos e tudo o mais. Coisacomplicada para quem tem mais de 300 gigas de fotos que aumentam a cada dia. Fui olhar as pastas e notei um certo padrão: eu tenho problema para cortar as fotos. Mexo nas cores, na iluminação, mas raramente na hora de editar eu excluo partes da imagem. Poderia não ser nada, se eu não tivesse essa mania de pensar e repensar tudo incessantemente.

 

Na realidade, é medo de perder ou deixar escapar parte do todo. Cortar uma foto é jogar fora o que eu acho desnecessário. E eu detesto fazer isso. Porém, se você parar pra pensar direitinho, o próprio ato de fotografar é cortar, fazer uma seleção no tempo e no espaço, de menos de um milissegundo, e eternizar um momento (“a morte do momento”, diria um filósofo). E por isso é tão esquisita essa minha pequena obsessão.

 

Será que essa busca pela completude é saudável? Será que é realmente possível guardar tudo, não retirar nada, não excluir nada da foto? Óbvio que não, só estou eu, lutando inconscientemente contra a realidade, na esperança que aquele pedaço ruim da imagem, com pena daquele detalhe insignificante que quebra o equilíbrio e destoa completamente a fotografia. E por que fico eu sempre tentando completar o que poderia ficar bom com menos, colocar mais açúcar do que pede a receita do bolo, aumentar os graves, os médios e os agudos da equalização do som?

 

Noia, noia. É só mais uma mania indiossincrática. Let it go.

 

Ao invés de tentar colocar tudo na imagem, eu deveria, como toda pessoa saudável, era focar no bom, no que presta. E deixar que o mundo continue girando assim, incompleto e imperfeito.


A gente perde resolução para ganhar espaço de memória.

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