O último deus

Nectanebo II foi o último faraó nativo do Egito a governar e também extremo final da décima terceira dinastia. Depois dele, seu reino perdeu a soberania, tornando-se parte da Pérsia, governada por Artaxerxes III. Morreu fugido, escondido em algum lugar da Núbia, com medo de revelar sua origem real, a ascendência divina que tinha correndo nas veias, para manter-se vivo. Até os filhos dos deuses tinham medo da grande rainha morte. A partir dessa fuga pela sobrevivência, nunca mais houve qualquer referência à sua existência, personalidade, ações. Não foi enterrado sob uma pirâmide imensa, nem num túmulo de pedra no Vale dos Reis. Ao contrário dos faraós conhecidos pela História, não matou judeus, não construiu nada eterno, e sua batalha mais importante foi uma derrota. Que teria feito de sua vida? Será que nunca ousou buscar a imortalidade? Será que previra, ao contrário de seus antecessores e sucessores, que provavelmente não seria lembrado, e gastou sua fortuna e seu tempo aproveitando a vida? Haveria escolhido um epicurismo prematuro? Que conclusões podemos chegar a partir da vida de um dos homens mais poderosos do mundo há mais de dois mil anos, considerado filho do deus maior e sagrado?

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