O pesadelo desta noite

Era uma festa estranha, cheia de gente discutindo literatura e viagens interessantes, parece até que havia um prêmio, ou algumas pessoas tinham obras expostas ou algo assim. Depois de circular pela casa inteira e conhecer o ambiente, eu termino encontrando uma pessoa querida, uma amiga que costumava conversar comigo muito online, mas que eu só encontrei pessoalmente uma vez. Nós nos saudamos, e quando eu ia puxar algum papo, alguém me pergunta as horas.

Meu telefone não estava no meu bolso.

Completamente desesperado, porque nem em sonho essa máquina deixa de controlar os impulsos, desejos e cotidianos de um ser humano normal como eu, passo a procurar aquela maldita maquininha verde em todos os recantos da casa. Vasculhei todos os cômodos, perguntei a várias pessoas.

Até lembro que, em uma das salas, havia uns cinco telefones verdes, do mesmo modelo que o meu, em cima de mesas, nas mãos das pessoas. Nenhum era o miserável controlador do meu destino.

Devo ter passado constrangido pela minha amiga, envergonhado de não poder dar-lhe atenção – que bobagem, racionalmente falando uma conversa com ela vale bem mais do que um telefone velho no mercado negro do meu coração – mas continuei, feito um idiota assustado e desesperado naquela busca infrutífera.

Nem uma vez lembrei de pedir pra alguém me ligar. Provavelmente estaria no silencioso, nem tenho um toque de telefone programado, sou desses. Mas desistir, jamais. Procurei e procurei.

Acordei assustado, o maldito telefone massacrando meus ouvidos com o toque do despertador, lembrando-me que já era hora e que o tempo continua caminhando pra frente, deixando amizades para trás.

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