Película & Miopia.

Um guest post de Duda Leal.

Desejei mil vezes te ver se aproximando devagarzinho como quem não queria nada, e tudo ao mesmo tempo, me envolvendo num abraço apertado e desengonçado, enquanto encostava a barba por fazer no meu rosto, e eu sentia o cheiro suave do perfume misturado com suor que vinha do seu pescoço.

O ar de desligado e o olhinho apertado em forma de peixe linguado, que deixam o seu rosto tão simpático, mesmo não sorrindo tanto quanto eu gostaria, aqueceram, no ato, o meu coração que andava tão gelado. Congelado.

Perambulando por aí meio distraída, pensando nos problemas que a solidão me trouxe, parei de respirar por alguns poucos segundos, quando reconheci aquela silhueta de relance que a miopia incurada não me permitiu ver por inteiro de primeira.

Vestia uma calça meio colada azul anil, camiseta branca de gola esticada, sandália havaianas e o cabelo moicano despenteado. Eram dez da noite, mas parecia que tinha acabado de acordar, e saiu de casa de pijama sem tomar banho ou escovar os dentes.

Lindo, e com isso minha miopia nunca teve nada a ver, passou com indiferença e nem percebeu a boba olhando de canto de olho, enquanto as pernas ficavam dormentes a cada passo seu. E quem dera que fosse ao meu encontro.

Seguiu em frente, e agora a estampa de bolinhas pretas decrescentes nas costas da sua camiseta velha vão se confundir com as minhas idéias, até enfim descobrir se o seu nome começa com A, B, C ou D. E se a minha vida daria um belo e pragmático filme dos seus, de nós dois.

Comments 1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.