A Ilusão do Emprego Perfeito

Este é o segundo guest-post escrito por Ovídio, o sem redes sociais.

Na semana passada eu resumi um pouco das idéias que Cal Newport trata em uma série de posts, e agora vou falar um pouco mais especificamente sobre cada um deles.

primeiro post da série vai, pouco a pouco, nos ajudando a mudar de opinião sobre o Emprego dos Sonhos. Ele começa mostrando o exemplo de alguém que possui um Emprego dos Sonhos. Pela definição de Cal Newport, um trabalho que é construido no entorno de um hobby, algo que lhe interessa e que você gosta.

Como o Hélio já deve estar sabendo, logo após essa amostra o autor passa a apresentar algumas inconsistências na lenda do Emprego dos Sonhos como trilha para a satisfação no emprego. A maioria dos conselhos e histórias disponíveis batem na mesma tecla: largue seu emprego medíocre em um escritório e/ou cubículo e abra um negócio num ramo que você ama, onde você será completamente satisfeito.

Ele apresenta essa busca como uma fantasia e uma falácia, afirmando que ela é um pensamento tóxico e perigoso para a nossa satisfação em qualquer emprego que encontremos. Apresentada tal qual ela é, de forma simples como num conto de fadas, ao invés da busca pelo Emprego dos Sonhos servir para lhe impulsionar a construir algo, ela se torna um ralo neurótico que drena seus pensamentos, tempo e energia construtiva.

Na última parte do post, ele se utiliza dos resultados de uma pesquisa feita por uma equipe da Universidade de Michigan, e que o próprio Newport replicou de maneira informal, e nos oferece uma pista do que seria uma forma saudável de se buscar a satisfação no emprego. Ele afirma que nossa satisfação depende mais de fatores internos e pessoais do que com o emprego em si. Em suma, COMO nós encaramos nosso emprego é que define a satisfação que teremos com ele, e não se é um emprego numa praia paradisíaca produzindo pranchas, em Campos do Jordão fabricando chocolate, ou na Threadless desenhando camisetas.

Esse ponto me lembrou uma frase de Bonifácil ao falar do livro Tribes, do Seth Godin: “Eu não sei você, mas eu quero um emprego que me dê saudades dele nas férias.”

Por fim, ele encerra com uma reinterpretação do exemplo citado no início: “His story is less about mustering the courage to follow his dreams, and more about the determination required to systematically gather the difficult skills needed to succeed in a demanding (but rewarding) field.”

Como é de se esperar, esse ponto de vista é menos sexy e parece mais árduo que a idéia de seguir sua paixão. Por isso parece incongruente e deve gerar grande desconfiança, mas nos outros posts da série (que eu continuarei resenhando) ele apresenta mais embasamento para a tese.

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