Comendo ela

Posted by tarrask on May 21, 2012 · 5 mins read

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Um guia culinário: tudo o que eu sei sobre comer Ela.
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Entrada:
Porque nem sempre eu consigo ser discreto e falar com sutilezas. Tem dias que não dá pra aguentar, e é necessário comer com as mãos, sem educação, sem garfo, sem guardanapo. Preciso olhar nos teus olhos, te beijar a boca e te comer. Sem meias palavras. Eu quero te por em cima da mesa. Acho que nunca juntei tantas palavras não pornográficas que me fizessem um efeito tão elétrico.

Desculpe se as metáforas não são tão originais.
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**Prato principal:
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Ela é um picolé na praia. Gostoso e refrescante, mas o bom mesmo é poder me lambuzar todo, sabendo que depois terei um banho de mar com o gosto dela na boca.

Às vezes ela é uma salada. Não como por prazer, mas pra fazer bem ao coração.

Ela também se come como batata-frita. No sofá, com a tevê ligada em alguma coisa bem inútil, sem parar e sem limites, porque nunca sacia.

Ela é como um bombom. Eu abro a embalagem com cuidado, vou mordendo e lambendo até chegar no licor.

É sair para jantar tapas. A cada mordida, um gosto diferente, uma mistura de sabores, uma explosão de sentidos.

Ela é um copo de vinho, quinta-feira à noite. Aquelas duas horas de paz e introspecção, somente eu com tudo o que é bom no universo.

Tem horas que é uma fruta. Saudável, doce, molhada e com gosto de infância.

O chocolate, tão necessário para adoçar o dia, que eu guardo e vejo em todas as partes. Simples desejo condensado em algumas mordidas, prazer que derrete na boca.

Preciso comê-la num churrasco. Carne, muita carne. Macia, tenra, saborosa, quase crua, pingando de sangue e sal e suor. E em muita quantidade.

Há também os dias de misto-quente. Só uma comida rápida, antes de sair de casa, para não ficar com o estômago vazio.

Com pressa no meio da rua, um beijo-drops pra enganar a fome.

Ela é uma sopa. Revigora, cura doença e esquenta.

Ao acordar, olhar pra janela e ver o mundo despertando, ela é um café, que acorda e faz companhia nessas horas de cérebro morto.

Maionese. Melhora tudo que a gente coloca ela por cima.

Às vezes é um prato de feijão com arroz num dia de fome depois do trabalho. Fortalece, preenche o estomago e a alma. Dá uma fraqueza depois. Eu não consigo viver sem, e aqui na Europa faz uma falta.

É um sushi, que dá energias no domingo à noite para aguentar a semana, me faz dormir descansado, tranquilo e com um gosto de paraíso na boca.

Nem vou falar do frango assado.

Às vezes ela é só tira-gosto, como pra acompanhar a cerveja e um papo gostoso.

Tem dias que ela é meu fugu: é preciso comer com cuidado, atenção e concentração. Qualquer movimento em falso é venenoso, uma mordida errada mata. Mas ainda assim é uma das maiores iguarias já descobertas.

Leite com chocolate de manhã cedo num fim de semana. Rapidinho, antes de voltar a dormir embaixo das cobertas quentes.

É preciso comê-la como quem come caranguejo: bate, quebra, lambe, chupa, mastiga, aperta, amassa. Acabo sujo, molhado, viscoso, preguento, suado, cansado, satisfeito.

Ela é caviar, salmão, champanhe, trufas. Um gosto delicioso, exclusivo, caro, requintado, que merece atenção aos detalhes, paladar fino, cuidado e sutileza. Um luxo para poucos. Se possível, queria a safra inteira, só pra mim. Prazer egoísta, pra não dividir com ninguém.

Às vezes ela é a água de côco que cura a minha ressaca e me devolve a vontade de viver.

Tem dias que ela é a minha vitamina: me dá energia pra acordar, levantar e fazer força. Depois dela, me sinto um atleta.

Ela é a lasanha do domingo, a alegria da semana, o momento máximo, o júbilo. Orgasmo culinário supremo.

Ela é um banquete. São milhões de sabores, texturas, cores, formas e possibilidades. Desfrute, deleite e desbunde. Em cima da mesa, tudo o que eu poderia querer para me sentir completamente satisfeito, feliz e bem nutrido. E como uma criança, nunca sei por onde começar.
**Sobremesa:
** Se gostou, me dê um sorriso bonito e sincero.

Referência bonita e romântica: “em todo canto.”