Tem gente que gostaria de ser o John, outros preferem ser o Paul, alguns querem dizer que preferem ser talentos à sombra e dizem gostar do George, com medo dos holofotes, e outros cagam e andam pensando que é melhor mesmo é ser Ringo Starr, que, dos quatro, foi o que mais se divertiu.
Todo mundo gostaria de ser um Beatle. Não no sentido de ser um engravatadinho que fazia músicas antigas ou um revolucionário do rock que criou mais do que qualquer outra celebridade, mas no sentido de fazer algo, gostar de fazê-lo e ser apreciado no que faz por milhões de pessoas.
Ou seja, sucesso merecido.
Mas, na boa, quase ninguém é os Beatles no que faz. Monty Python era os Beatles do humor (com a benção de Sir Harrison e tudo), ou Neil Gaiman é os Beatles da literatura para pessoas estranhas. Nós, mortais, podemos almejar chegar aí?
E se não podemos, porque não tentar, pelo menos, fazer bem feito, fazer parecido? Por que uma busca muito maior pela originalidade do que pela qualidade?
Uma banda cover dos Beatles, imitadores do Elvis, por que eles existem?
Exatamente porque é o mais próximo da experiência real que podemos ter. Nunca mais poderemos ir a Las Vegas ver o Cara lá, mas um imitador pode ser bom o suficiente para que meu grau de hipermetropia não permita ver a diferença. E que diferença faz?
Eu passaria uma noite memorável em Las Vegas, Elvis verdadeiro ou não. Viveria uma noite fantástica no Cavern Club, Paul ou Pedro ou Itamar, desde que queira acreditar que o trabalho é bem feito, a música é boa e a companhia, melhor ainda.
Ao invés de procurar os detalhes, as diferenças que vão destruir a magia e o encanto, procure os pequenos detalhes de semelhança, o esforço, a vontade e a beleza de criar um momento bom.