Sede da nova Copa do mundo, quinta economia, potência da América do Sul, país do futuro, abençoado por deus e bonito por natureza, o Patropi mudou de personalidade.
O povo que agora come, tem emprego pleno e crédito, enquanto o resto do mundo chora uma crise causada pela hubris derrubada de quem deu um passo maior que as pernas. Os brasileiros assistiram de camarote os zagueiros dos outros times tropeçando nas próprias pernas, e enquanto a bola corria solta, na cara do gol, caminhou displicente, tal qual um Romário sem sentido de timing, crente que chegaria a tempo.
A torcida canta vitória e grita olé, na metade do segundo tempo, porque acredita que temos condição de empatar e chutar pro gol.
Mas falta chutar. Gol de barriga é bom, mais legal se for de mão. Mas o não-gol é uma inexistência para os nossos torcedores. A bola terá que entrar, a copa será maravilhosa, a economia sempre estará tranquila, e nós iremos melhorando à medida que avançamos as oitavas e as quartas de final da evolução nacionalista.
E o brasileiro, neto de vira-latas, hoje se acha um poodle. Cachorro de madame, de raça, limpinho, rico e bem cuidado, certo de que terá comida no prato pro resto dos seus dias. Algo diz que sempre estará protegido, ao ponto de ter a coragem de latir para todos, pessoas ou cachorros, que ousem chegar perto, ameaçadores ou não. Poodle é bicho feroz, não tem medo de nada. Pitbull? Uma pinoia. Rotweiller? Um rato. Nada é páreo para a auto-estima e a beleza do futebol brasileiro.
Porque a camisa é capaz de sustentar a torcida, enfiar a bola no gol e até valorizar o câmbio.
Pouco importa quem pague a conta da coleira, do veterinário ou das entradas. O importante é que o poodle se ache o gênio da raça.