Quando a máquina falha

Posted by tarrask on June 01, 2013 · 1 min read

O programa pifou, não teve backup nem sobrinho entendido que fizesse aquilo voltar a ser como antes.

A sensação de liberdade foi consequência imediata após o fim do grilhão eletrônico. Não havia mais a obrigação de atualizar, checar, conferir, observar. Nada. Do mesmo jeito que a tecnologia resolve problemas, também acaba com o nosso tempo, e prende a atenção de uma maneira quase zumbificante.

Enfrentou todos os processos do luto estoicamente. A dor, a negação da realidade, a resignação, e por fim a libertação da dor.

Sim, era possível voltar a viver sem máquinas. Substituir e viver sem o controle do programa, alheio à sociedade conectada, à obrigação de recomendar e conhecer todas as novidades que aparecem diariamente, ignorando atualizações a cada instante e alertas que transformam qualquer apreciador de música num corretor de bolsa de valores emocionais.

E passeando pela rua, vendo o resto da humanidade conectado a cabos, telas e fones, presos a interfaces que intermediam o contato com quaisquer outros seres humanos, olhava a loucura das pessoas, alheias à suave brisa que aliviava um pouco o calor e convidava a deitar na grama, assim, sem música nem correio eletrônico, somente a doce, crua e analógica realidade.